Sou de uma época em que o Presidente era escolhido por uma junta militar. Governadores,
Senadores, Deputados e Prefeitos das principais cidades eram chamados de Biônicos (indicados pelo Governo Militar), no sentido de manter o controle sobre a Nação.
O Direito de escolher seus representantes era latente na Sociedade dos anos 60, 70, 80. Muita gente,
mas muita gente mesmo, lutou e morreu para por fim a esse regime chamado de exceção com greves, manifestações, etc. Foram dezenas de manifestações por todo o País que provinham de vários setores da Sociedade na tentativa de convencer o restante da população sobre a importância em ter direito de escolha sobre seus representantes,
Eram outros tempos
Desde 1988 todo cidadão Brasileiro maior de 16 anos tem esse direito conquistado sob muita dor e sangue. Inclusive as mulheres.
Hoje, se a Saúde, a Educação, o Transporte, para citar apenas três exemplos, não estão sendo oferecidos de forma adequada a culpa não é do político. A culpa é nossa; Nós os elegemos.
Se há corrupção, se há desinformação por parte de nossos governantes. A culpa é nossa; Nós os elegemos.
A Democracia é algo novo no Brasil. Ainda estamos nos acostumando a esse poder de escolha. A política por aqui precisa de muitos ajustes. Talvez com uma reforma, talvez com mais informação possamos daqui a algumas décadas votar de forma mais consciente.
Apenas para citar um exemplo o Brasil é um dos poucos países no mundo que remunera o vereadores. Em países mais desenvolvidos os representantes do legislativo Municipal não tem remuneração e Prefeitos e até de Deputados têm de dividir seu tempo com seu emprego numa demonstração de que política não deve ser encarada como carreira e sim como propósito.
Muitos são a favor do fim do voto obrigatório. Trata-se de uma vontade legítima de um setor de nossa Sociedade que, descrente, prefere não tomar partido diante de tantos horrores praticados por pessoas que nós elegemos.
O número de mais de 30 milhões de pessoas que não compareceram às urnas neste pleito chama
atenção. Se somados aos votos brancos e nulos temos um contingente de mais de 37 milhões de brasileiros que decidiram não 'tomar partido'. Notem que, 37 milhões de votos, se comparados ao
número de votos que a candidata Silma Roussef, vencedora com cerca de 54 milhões de votos é algo que não pode passar despercebido quando se trata de um País inteiro.
A candidata do PT reeleita teve portanto apenas 38,16% de aprovação dentre os eleitores de todo o País. O mesmo se daria se o candidato Aécio Neves do PSDB fosse o eleito. É dizer que cerca de 60% da população brasileira não quer nenhum nem outro.
Descontentes ou indiferentes, acabam por ser decisivos ainda que inconscientes sobre o futuro de nossa Nação.
Lamentável é verdade. Pois se cerca de 37% da população brasileira resolve que não tomar partido é o melhor (para ela) o mesmo não acontece quando o tema é reclamar sobre impostos, prestação de serviços e acusações de toda sorte sobre a política nacional.
Posso estar errado, mas penso que se o cidadão tem o direito de escolher e não o faz, lhe deveria ser proibido reclamar ou pleitear qualquer coisa que fosse pública.
Melhor seria se o voto não fosse obrigatório. Desta forma iriam às urnas apenas os convictos, informados e dispostos a escolher o que de melhor para a Nação eliminando de vez os chamados currais eleitorais e a compra de votos a partir de Políticas Assistencialistas aplicadas por todos os Governos.
Garantir votos a partir do estômago é degradante sob todos os aspectos.
Abaixo um quadro de como foi a votação nas quatro cidades que mais acessam este blog para sua análise.
A fonte é o próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral)