24 março, 2014

PAREI !!!

Tenho lido as manifestações das pessoas, nas redes sociais, repercutindo os fatos nos sites esportivos que habitualmente acompanho para saber o acontece no esporte e tem me incomodado muito, tenho sentido tristeza mesmo, por constatar que as pessoas encontram dificuldades com a sua comunicação, por desconhecerem cada vez mais nossa própria língua. Parece difícil escrever palavras simples, formular um parágrafo para expor adequadamente uma ideia.

 Com toda tecnologia de que dispomos, fico com a sensação de que a comunicação entre os homens esta voltando para uma forma primitiva.

Apesar de gostar de escrever, estou longe de ser especialista, só tive grandes mestres, cujas memórias não desejo envergonhar. Cometer erros é próprio de nossa condição humana e reconheço que não tenho o melhor texto do mundo, mas, sei que me faço compreender.

Pode ser que essas pessoas pensem, eu também me faço entender. E é verdade.

É verdade também que ha pessoas que não escrevem, porque não leem o suficiente, então, cria se um circulo vicioso, só leem quando a situação as obriga e quando  fazem não entendem, ou tem dificuldade de entender a leitura que fazem. Aí mora o perigo.

A observação é que as pessoas que acham suficiente se fazer entender, sem um mínimo de elaboração daquilo que falam ou escrevem não conseguem organizar seus pensamentos e consequentemente não treinam nem desenvolvem seus cérebros para tal finalidade e terão dificuldade de compreensão mais profunda, necessária, de acontecimentos ou fatos. Ficarão na superficialidade quando desejarem discutir qualquer assunto. Terão sempre opiniões instintivas e emocionais.

 Isso é grave do ponto de vista pessoal e do conjunto da nossa sociedade.

Acompanhava um programa esportivo de debate com uma bancada de jornalistas da melhor qualidade, na ESPN Brasil, em que a discussão era em torno de assunto da maior relevância, eles, tratavam com preocupação e senso de responsabilidade os gastos absurdos na construção de estádios para a copa do mundo no Brasil, além dos escândalos envolvendo figuras do meio esportivo brasileiro cujas biografias fazem Al Capone parecer um principiante.

Denuncias como fez lá atrás Marcelo Rezende, sobre a poderosa CBF de Ricardo Teixeira e Havelange, agora, a CBV de Ari Graça que renunciou depois da reportagem do sempre brilhante jornalista Lucio de Castro, dando conta de desvio de verbas do nosso voleibol.

A desistência do craque Falcão do nosso futsal que abriu mão de servir a seleção brasileira denunciando esquemas de corrupção na federação do esporte que o consagrou e que ele popularizou ainda mais no Brasil.

A posição do ex atleta Romario, hoje, deputado federal dos mais atuantes, pedindo uma CPI para investigar todas as federações de todos os esportes olímpicos, por haver indícios de graves irregularidades no país que sediará as próximas olimpíadas. Alguém duvida de que há muito caroço debaixo desse angu, diante de situações relatadas pela imprensa de atletas olímpicos fazendo “vaquinha” pela internet para poder continuar treinando e competindo? Atletas medalhistas em olimpíadas e mundiais, com tanto dinheiro sendo movimentado em todas as modalidades esportivas.

Difícil afirmar o que é mais triste, o conhecimento destes fatos que vem à tona de um submundo que imaginávamos que existia, mas, não tínhamos certeza, atenuante à nossa dor, ou saber que historicamente no nosso país será difícil ver essa gente desmascarada ser punida.

Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, ícones desta podridão que esta sendo descoberta e daquelas que ainda serão descobertas, estão no apogeu de seus prestígios e poderes. Para usar uma expressão do esporte, “estão nadando de braçada”. Eurico Miranda, com sua empáfia, que serve de escudo e instrumento de intimidação ao mesmo tempo, esta prestes a retornar ao Vasco com apoio de grande parte da torcida vascaína. 

 Por outro lado, ver essa gente corajosa que faz a denuncia, da a cara à tapa, ser mal compreendida e às vezes questionada por grande parte da nossa população, preocupa muito, caso mais claro os atletas do movimento Bom Senso Futebol Clube.

Sem entender a complexidade da historia e do momento que estamos vivendo, as pessoas deixam involuntariamente de dar a sua contribuição que é pressionar enquanto opinião pública para que o esporte seja passado a limpo, pior, essa posição de neutralidade que eu chamo de omissão, ou essa ignorância, servem de respaldo e fortalecem as sanguessugas do esporte brasileiro.

Como não há nada que estando ruim não possa piorar, esse raciocínio pode ser utilizado para todos os setores da nossa vida.


Aí, vou repetir uma palavra que costuma usar o jornalista José Trajano quando quer manifestar sua decepção e sensação de impotência. PAREI !!!!

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