A manifestação popular do último 15 de março traz um recado histórico para a sociedade brasileira que, não contente com os escândalos de corrupção, foi às ruas protestar.
A manifestação foi legítima, ainda que alguns não concordem. Foi legítima porque a voz que ecoa pede representatividade. É isenta de militância, é pacífica. É Nobre.
Não se convençam os de Esquerda que dizem que a Direita também tem culpa, nem os de Direita que possam estar ganhando dividendos políticos diante de um Governo fragilizado. Não se convençam os que estão no Governo nem os que estão na oposição de que a voz das ruas lhes favoreceu ou prejudicou. O Brasileiro está farto. O Brasileiro está triste e por isso foi às ruas.
O Clamor das Ruas que reuniu cerca de Dois Milhões de pessoas Brasil afora e repercutiu pelo mundo todo pede muito mais que uma troca de chefe do Executivo. A Multidão daquele Domingo estava lá para manifestar sua total indignação diante de tantos Escândalos de Corrupção e impunidade aos condenados.
Não há instrumentos legais para pedidos de Impeachment da Presidente e é preciso que as pessoas saibam disso. Seu Governo tem apenas 3 meses, as acusações que lhe são impostas pertencem ao Governo anterior o que coloca por terra qualquer tentativa de afastá-la. É o que diz a lei.
Política não se faz com Ódio
A manifestação pública é Democrática e legítima, mas não pode ser carregada de ódio. Não me parece legítimo achincalhar o (a) Presidente de um País eleito legitimamente pela maioria da população como tenho visto com a Presidente Dilma Roussef. Um sentimento de ódio se observa e não me parece saudável. Assim como o ódio contido na contrapartida dos simpatizantes do Partido que Governa.
Xingar de Vaca não é inteligente, não resolve e demonstra falta de educação de uma população que carece da mesma. O que causa revolta da população não será resolvido com xingamentos, apenas alimentará o ódio diante de outros Brasileiros.
Não há problema nenhum em ser de Direita ou de Esquerda. Não podemos nos envergonhar de nossa opção política. O que não podemos é admitir ou aceitar uma histeria coletiva que lembra uma grande festa sem reflexão.
Um Grande pensador Francês (Émile-August Chartier) disse certa vez: "Refletir é negar aquilo em que se acredita."
No meu entendimento uma reforma política, que nenhum presidente desde que caiu o Governo Militar teve coragem de colocar na pauta de votação, seria o mais razoável. Mas não ouvi nenhum clamor por reforma política no último dia 15. Ouvi sim muitos xingamentos.
Ainda assim o povo Brasileiro deixou seu recado de que está farto do modelo que lhes rege politicamente, está farto de tanta corrupção. Esse recado que deve servir para todos os políticos, sem exceção, sem dúvida trará consequências já nas eleições Municipais de 2016.
Discordar é inteligente, mas o ato pede reflexão. Histerismos alcançam bom som mas não resolvem. As manifestações públicas estão carentes da reflexão devida.


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